Nipah no Brasil: Ministério da Saúde emite alerta sobre o vírus que apresenta 75% de letalidade
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também se pronunciou sobre o potencial epidêmico do vírus Nipah.
A Índia voltou ao centro das atenções das autoridades sanitárias após a confirmação de um surto no estado de Bengala Ocidental, onde dois profissionais de saúde foram infectados. O episódio levou mais de cem pessoas à quarentena e desencadeou uma resposta imediata em países vizinhos, que reforçaram os protocolos de vigilância sanitária em aeroportos, semelhantes aos adotados durante a pandemia de Covid-19.
Apesar da repercussão internacional, o Ministério da Saúde do Brasil considera baixo o risco de o vírus alcançar o território nacional. O Nipah é classificado como um patógeno de alta letalidade, com taxas de mortalidade que podem chegar a até 75% dos casos.
A transmissão ocorre por meio do contato com alimentos contaminados, secreções de animais ou diretamente entre pessoas. Os principais reservatórios naturais do vírus são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, comuns em regiões tropicais da Ásia.
Até o momento, não há vacina ou tratamento específico, o que torna a resposta rápida fundamental diante de surtos localizados. Os sintomas podem variar desde manifestações respiratórias leves até quadros graves de encefalite, capazes de levar ao coma em menos de 48 horas.
Entre os sinais mais frequentes estão febre, dor de garganta, vômitos, dores musculares, alterações neurológicas e insuficiência respiratória aguda. O período de incubação geralmente varia entre 4 e 14 dias, embora existam registros de até 45 dias.
O tratamento é baseado em suporte intensivo, especialmente respiratório e neurológico. Instituições como a Fiocruz, o Instituto Evandro Chagas e a OPAS/OMS mantêm articulação constante com as autoridades brasileiras para monitorar a situação.
A OMS informou que, no momento, não há recomendação para restrições de viagens ou comércio com a Índia, apesar de o vírus ser classificado como uma ameaça prioritária devido ao seu potencial epidêmico.
Identificado pela primeira vez em 1998, o vírus Nipah tem provocado surtos esporádicos em países asiáticos. O aumento da mobilidade global e as mudanças ambientais reforçam a necessidade de vigilância contínua sobre agentes virais com esse perfil.
A prevenção depende do monitoramento internacional ativo, de cuidados rigorosos com a higiene alimentar e da preparação das redes de saúde para possíveis emergências.
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